Um CV nunca vai dizer quem somos. E ainda bem!

Se eu vos contar a minha vida, nunca vão saber o que vivi. Vão conhecer os factos. Nunca a experiência. Nunca saberão o que senti, as emoções que vivi.

Podia escrever um livro sobre ela. Continuariam sem sentir o medo de algumas decisões, a violência de certos momentos ou a solidão que tantas escolhas implicam.

Numa entrevista acontece exatamente a mesma coisa.

Uma hora de conversa não chega para conhecer uma pessoa. Nem duas. Nem três. Às vezes uma vida não chega.

Com quantos colegas trabalhamos anos e nada sabemos deles? O que lhes dói, o que os move.

E deve continuar a ser assim: a nossa intimidade, a vida que colocamos na vida é que faz tudo ter sentido. E não se mostra tudo, claro que não. Como diz a avó da Filipa Faria: “panela fechada faz boa sopa”.

Por isso, esperar que um currículo diga quem somos é pedir-lhe aquilo que nunca poderá fazer.

Vê-se aqui tantas críticas a isso de quem não trabalha em RH: A última foi: “Um currículo pode conseguir atenção. Não consegue sustentar aquilo que a experiência desmente.” Mas a experiência é sempre relevante, sempre, até para desmentir. Mas o CV DEVE chamar a atenção sempre.

O currículo existe para abrir portas. Abrir com a verdade factual e comprovavél, mas abrir portas sempre.

E há outro erro que vejo constantemente. Há quem ache que um bom currículo é aquele que conta tudo.

Não é.

Não se coloca tudo num currículo. Nem pensar. Seriam tratados internacionais ou testamentos. Coloca-se o que interessa para o caminho que queremos construir. Até fazer um bom CV é uma Skills e um bom índice para a seleção no recrutamento.

Se na vida temos um plano, fazemos escolhas e não andamos a disparar para todas as direções, porque haveríamos de fazer isso com a carreira?

Um currículo não é um arquivo da nossa vida profissional.

É uma ferramenta estratégica.

Cada experiência que lá está deve responder a uma pergunta muito simples: aproxima-me da oportunidade que procuro ou apenas ocupa espaço?

Até hoje, não existe nenhuma peça que substitua o currículo.

É a primeira impressão em milhares de processos de recrutamento. Continua a decidir quem entra e quem fica de fora.

Vale a pena tratá-lo como tal.

Tenho gravado vários episódios do #PlanoB, o podcast de carreira com vários profissionais ÍNCRÍVEIS. O único podcast em Portugal dedicado, de forma séria, às carreiras, a quem recruta, a quem trabalha todos os dias com gestão de talento e RH: https://cvexperts.pt/podcast-plano-b

Ouçam estas pessoas. Ouçam os seus percursos, as suas dúvidas, os erros, as mudanças de direção. É nessas conversas que percebemos aquilo que nenhum currículo consegue mostrar ou contar.

Até existir algo melhor, façam com que o vosso currículo vos represente bem.

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